A música executada pelo dueto de pianos e de caixas de som não é uma composição no sentido literal, já prevista e determinada, mas sim uma improvisação. O computador que controla todo o sistema irá gerar a música em tempo real, através de um algorítmo.

Esta discussão vem de encontro com conceitos fundamentais da música no século passado. John Cage abriu as portas para a aleatoriedade, transformando a composição em um procedimento, a criação de uma lógica, de uma estrutura, e não mais a escolha de uma série específica de notas. Neste mesmo pensamento, Steve Reich desenvolveu o phasing, uma técnica de composição em que a música é gerada através de um simples procedimento (loops tocando em velocidades diferentes). Brian Eno aplicou essa técnica para a criação de composições que funcionam como paisagens sonoras, criando assim a ideia de música ambiente.


O som gerado pela Ilha se baseia nessas ideias e é composto por notas que pouco a pouco vão ganhando espaço e aumentando de volume para depois lentamente esvanecerem, abrindo espaço para novas notas. Assim, cria-se uma paisagem sonora (landscape, como diria Cage), uma topografia, que aos poucos se transforma de maneira infinita e imprevisível. A tonalidade se torna presente como um corpo no espaço, uma presença física e espacializada, gerando a impressão de um drone, uma textura infinita e constante, que não irá atrapalhar aqueles que estão na sala concentrados. Porém, ao comparar momentos distintos, é possível notar a grande transformação que ocorre pouco a pouco.